domingo, 10 de junho de 2012
Olho para o P.
O corpo é frágil, magro.
A língua é uma pedra de tão desidratada.
Os olhos reviram
Os rins falham.
Tem espasmos.
Hoje aspirei-o.
Só porcaria a dificultar-lhe a respiração. E ele sem conseguir tossir.
O P. já não come.
Os meus colegas queriam entubá-lo.
Felizmente o médico não concordou.
Alimentar um corpo que está praticamente morto faz-me confusão.
Mas isso sou eu, que ao que parece, sou cruel e quero matá-lo à fome.
Penso no fio que o mantém aqui.
No fio que nos mantém aqui. A nós todos.
Como é frágil.
E apesar disso, no meu trabalho manipulamos o fio, muitas vezes com sucesso.
Já disse que adoro ser enfermeira?
E que no fim do primeiro ano da faculdade não me via a fazer isto?
domingo, 27 de maio de 2012
Ainda há pouco falava com a minha tia
Sobre um amigo meu.
Que é gay.
E ela perguntava como seria um homem beijar outro homem. O que é que eles sentem. Como é que se gostam.
E como isso lhe faz impressão.
Eu, que sou uma depravada aos olhos da minha mamã, encolhi os ombros.
Discutir estas questões chateia-me.
Porque eu não compreendo as dúvidas. As comichões que isso causa.
Tenho muitos amigos gays.
Assisto a beijos entre homens.
A desejo entre homens.
Falamos de sexo.
De amor.
Carinho.
Inseguranças.
Respeito.
Ciúmes.
Jantares em família.
Falamos de relações. De pessoas. Independentemente do género.
Homo ou hetero.
Amor, paixão e atracção física. Assumem sempre os mesmos contornos.
Por isso.
Meninas, sabem quando os namorados brincam com os vossos mamilos e é bom? É igualmente bom quando as mãos ou a boca são de outra mulher.
E vocês meninos. Quando recebem beijos no pescoço das namoradas. Ou são masturbados. Ou o que for. Um gay sente o mesmo. Mas recebe-o de outro homem.
Se querem alguma coisa que choque realmente. Sei lá.
Leiam sobre o massacre das focas bebés no Canadá.
sábado, 26 de maio de 2012
Antagónico
Da última vez que voei em direcção a Faro, ia de coração cheio.
Cheio de paz. E felicidade. E luz. E todos os sentimentos bons que eu e vocês podemos imaginar.
Ia tão cheia de vida, que pensei que podia morrer.
Cheio de paz. E felicidade. E luz. E todos os sentimentos bons que eu e vocês podemos imaginar.
Ia tão cheia de vida, que pensei que podia morrer.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Sai uma destas para a mesa, faxabôr!
Se alguém do hospital descobre este blog, os boatos relativos à minha orientação sexual ganham ainda mais sentido.
E eu estou tão preocupada com isso que vou ali chorar um bocadinho e tomar anti-depressivos.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Em Portimão
Muitos doentes no serviço.
Acabo a passagem de turno às nove da manhã.
Trabalhei dezassete horas.
Saio do hospital e é dia. O sol brilha. Não está muito calor.
Decido ir à praia, apesar de me sentir gorda.
Vou à Sport Zone comprar um bikini. Estou efectivamente gorda.
Mordo o lábio para não chorar. Amuo.
Pago trinta euros por um bikini com muito pano.
Vou ao Continente fazer compras para a semana.
Tomo o pequeno-almoço em casa. Pão com sementes. Queijo. Maçã. Café.
Olho pela janela enquanto como. Esforço-me por comer devagar.
Estou cansada, com sonos em atraso.
E feliz.
O meu trabalho deixa-me muito feliz.
O meu trabalho tem sido a minha salvação.
Sinto-me burra muitas vezes. E há um médico - malcriado! - que faz questão de me lembrar isso mesmo, cada vez que visita um doente. Eu, que até mantenho a calma e tenho paciência inesgotável, estive a um milímetro de o mandar p'ró caralho. E também não sou de asneiras...
Bem.
A minha cabeça anda ocupada. Com traçados de ECG, interpretação de análises, medicação que nem sei pronunciar o nome.
Enquanto isso...
Os espelhos já não são tão repugnantes. E a balança do serviço... Já estive mais longe de subir para cima dela.
Acabo a passagem de turno às nove da manhã.
Trabalhei dezassete horas.
Saio do hospital e é dia. O sol brilha. Não está muito calor.
Decido ir à praia, apesar de me sentir gorda.
Vou à Sport Zone comprar um bikini. Estou efectivamente gorda.
Mordo o lábio para não chorar. Amuo.
Pago trinta euros por um bikini com muito pano.
Vou ao Continente fazer compras para a semana.
Tomo o pequeno-almoço em casa. Pão com sementes. Queijo. Maçã. Café.
Olho pela janela enquanto como. Esforço-me por comer devagar.
Estou cansada, com sonos em atraso.
E feliz.
O meu trabalho deixa-me muito feliz.
O meu trabalho tem sido a minha salvação.
Sinto-me burra muitas vezes. E há um médico - malcriado! - que faz questão de me lembrar isso mesmo, cada vez que visita um doente. Eu, que até mantenho a calma e tenho paciência inesgotável, estive a um milímetro de o mandar p'ró caralho. E também não sou de asneiras...
Bem.
A minha cabeça anda ocupada. Com traçados de ECG, interpretação de análises, medicação que nem sei pronunciar o nome.
Enquanto isso...
Os espelhos já não são tão repugnantes. E a balança do serviço... Já estive mais longe de subir para cima dela.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Lá porque não escrevo
Não quer dizer que não tenha nada a dizer.
A minha vida deu mais uma volta. Mais uma, só isso.
E eu estou em paz. Com o coração a rebentar de felicidade e sem saber o que fazer com isto tudo.
Tenho dificuldade em organizar as ideias. Passá-las para o papel.
Quero escolher as palavras, mas elas perdem-se no meio da euforia.
Tenho amor incondicional dentro de mim.
Sinto-me nem-sei-bem-que-palavra-usar. E só tenho medo que isto acabe rápido.
E eu volte aos dias em que fui sombra. Aos dias em que evitei espelhos. Aos dias em que guerreei comigo mesma e estive prestes-prestes a perder a batalha.
Às vezes, até me pergunto se mereço esta paz, por fim.
No outro dia lembrei-me do ano em que fui à Zambujeira do Mar. E vi o David Guetta.
E me emocionei profundamente com música de discoteca, lasers, robôts e pessoas com o telemóvel a brilhar no escuro.
Esta música faz-me voar :)
A minha vida deu mais uma volta. Mais uma, só isso.
E eu estou em paz. Com o coração a rebentar de felicidade e sem saber o que fazer com isto tudo.
Tenho dificuldade em organizar as ideias. Passá-las para o papel.
Quero escolher as palavras, mas elas perdem-se no meio da euforia.
Tenho amor incondicional dentro de mim.
Sinto-me nem-sei-bem-que-palavra-usar. E só tenho medo que isto acabe rápido.
E eu volte aos dias em que fui sombra. Aos dias em que evitei espelhos. Aos dias em que guerreei comigo mesma e estive prestes-prestes a perder a batalha.
Às vezes, até me pergunto se mereço esta paz, por fim.
No outro dia lembrei-me do ano em que fui à Zambujeira do Mar. E vi o David Guetta.
E me emocionei profundamente com música de discoteca, lasers, robôts e pessoas com o telemóvel a brilhar no escuro.
Esta música faz-me voar :)
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