A prova de que eu fui programada para ficar sozinha é mais do que evidente.
Já me vejo cinquentona, gorda, de robe em casa.
Com um gato a fazer-me companhia.
Eu canso-me das pessoas.
Não faço de propósito.
Nem consigo explicar bem.
Mas canso-me. Mesmo quando elas são um amor.
O R. passou uns dias cá em casa.
Fez-me tratamentos ao chakra.
Cozinhou para mim.
Assistiu às minhas orgias alimentares sem proferir uma palavra de censura.
Até aqui tudo bem.
Mas depois deixava-me a louça por lavar.
Roupa espalhada pela casa.
Cama por fazer.
Falava durante os filmes.
Pormenores. Que eu, sem querer, transformo em desgraças.
Até digo para mim mesma
ó Rita, deixa de ser parvalhona que toda a gente tem defeitos.O R. tem mais qualidades do que defeitos.
E não sei porque é que os defeitos pequeninos me enervam tanto.
Estou sozinha há muito tempo e quero tudo à minha maneira. É isso.