quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eu e o Prozac


Juntos. Outra vez.

Hoje, a Dr.ª T. ouviu a minha história. Fiz questão de não poupar nos pormenores. Os mais macabros que se podem imaginar.

A expressão dela não mudou.
Nem quando enumerei a quantidade absurda de coisas seguidas que eu consigo comer quando tenho crises. Nem quando lhe contei que enfio uma escova de dentes pela goela abaixo e vomito. Vomito tudo. Comida, culpa, remorsos, raiva.


Explicou-me a opinião dela com termos que não me são, de todo, estranhos. Reconheci-os das aulas da faculdade.
Depressão. Ansiedade. Serotonina. Bulimia nervosa.


Nem sei o que me leva a escrever isto aqui.

Isto devia pertencer à parte dos meus gatafunhos diários que não passa para o blog. Aquela parte que eu considero demasiado íntima.
A verdade é que eu estou cansada de guardar sozinha estes segredos.

6 comentários:

  1. Sra. Anónima Meireles23 de setembro de 2010 às 19:39

    Não acredito que alguém com os teus conhecimentos, com as tuas capacidades, aptidões, talentos e estrutura física invejável seja assim tão estúpida.

    Os medicamentos, os remorsos da comida, o peso que não é a mais ( nem digas o contrário) estão a matar-te...

    Seria muito fácil dizer que a culpa é desta sociedade que apregoa as linhas do corpo "perfeito" (seja lá o que isto for) , que cultiva a felicidade no dinheiro e beleza e outras tretas...mas não seria nada justo

    A culpa é tua que te deixas ir no ritmo da coisa.

    Queres ser mais uma doente mental dessas que andam para aí feitas zombie a apregoar o seu lamentável estado?
    Sabes que hoje em dia até é "cool" e "chique" dizer que se tem uma depressão, ou uma paranóia, ou até que se toma psicofármacos...

    Não é a Dr.ª T.
    Não são os medicamentos.
    Só tu é que te podes salvar. Sem ajuda. De nada. De ninguém.

    Não te convenças do contrário. É um ciclo. Vais ficar dependente para sempre.

    Um beijo*

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  2. Cara anónima,
    Agradeço o estalo. Não esperava o contrário. Não esperava palavras meigas, nem festinhas. Mas desengane-se; eu não me estou a fazer de vítima.

    Eu sei disso tudo. Sei da pressão social. Do culto da magreza. Do sexismo. Do estereótipo. E afins.

    Mas também sei que há desiquilíbrios bioquímicos. Neuro-receptores. Os meus pifaram, parece-me.

    Não me parece que pedir ajuda seja mau. Assim como não me parece mau ter de admiti-lo.

    Podia perfeitamente esconder os meus podres. Parecer normal à sociedade. Fazer de conta que está tudo bem.
    Podia!

    Invejo a sua auto-suficiência.
    Mas não me atire pedras.
    Nem pense que é assim tão simples.

    Obrigada pela sua opinião.

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  3. ...é pena que não te apercebas que não estás sozinha...e que o que achas que é segredo já eu to tinha 'lido' à mt, mas como n me procuraste não viste que sempre tiveste um colinho à tua espera...beijocas gordas, S.

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  4. Querida S.
    Não duvido que já soubesses.
    Eu é que só me apercebi agora. Deixo o pedido de sococrro sempre p'rá última da hora, como é costume...

    Espero que o colinho ainda esteja disponível para mim :)

    Beijos *

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  5. Olá Rita...
    Volta e meia não resisto em cuscar os teus gatafunhos.. são cativantes...
    Mas este foi diferente...
    Deu-me vontade de te dar um abraço e um copo de magia que te fizesse ver como és (porque o és) uma pessoa magnifica e que acredito que não precisa de nada disso para ser feliz....
    Não tou a dizer que é facil... pk n é...mas a primeira fase é ter vontade de vencer...
    ok? pensas nisso?
    Abraço Div.

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  6. Apetecia-me dar-te um valente safanao,a ver se acordas dum pesadelo que teima em nao largar-te. Mas compreendo-te...sei que não é facil e que foge ao teu controlo.E nao,nao e crime procurar ajuda...admiro a tua frontalidade(gosto mais deste termo do que "coragem"), creio que e um passo importante para encarar o problema.Nao o tens que fazer sozinha.Tem que partir de ti, tens que ter a vontade,mas o apoio daqueles que te sao chegados e importante.
    Gostaria de ter a soluçao para que uma rapariga linda,inteligente, divertida e interesante pudesse apreciar-se de verdade...mas não tenho.Apenas tenho para oferecer a disponibilidade que os amigos devem ter!
    Esqueço-me agora se já te disse uma coisa...admiro muito a pessoa que és (mesmo com os defeitos de fabrico que possas ter)!
    Beijinho, Jorge Gomes

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