3. Estar sozinha em casa. Pôr este CD e dançar em cuecas, enquanto aspiro as alcatifas.
Se não conhecem, corram!
terça-feira, 1 de março de 2011
Coisas que eu adoro
2. A Primavera a chegar à Inglaterra.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
De volta
Quando cheguei a Viana e vi a minha cidade a brilhar na noite, o meu peito encheu-se de felicidade.
As saudades que eu já tinha da minh'alegre casinha...
Hoje fiz o caminho inverso.
A paisagem a passar rápido pela janela do comboio.
Casas de tijolo sob um céu nublado.
Gosto muito.
Também aqui, sinto-me em casa.
:)
As saudades que eu já tinha da minh'alegre casinha...
Hoje fiz o caminho inverso.
A paisagem a passar rápido pela janela do comboio.
Casas de tijolo sob um céu nublado.
Gosto muito.
Também aqui, sinto-me em casa.
:)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Eu sou uma desgraça
Com datas.
Esqueço-me frequentemente dos anos dos meus amigos.
Mesmo dos meus favoritos.
Lembro-me dois dias antes.
No dia anterior.
E puf.
No dia, evapora-se da memória.
Segundo amigos meus, o Facebook avisa quem faz anos e em que dia.
Eu como não percebo nada daquilo, estou em desvantagem.
Lá com esta história do Facebook, recebi muitas mensagens de aniversário.
Mais do que estava à espera.
De gente improvável. Tipo a R., uma americana que conheci em Erasmus. Ela odiava-me.
'Tá bem que isto das redes sociais dá asas a muita hipocrisia.
Seja como fôr.
Eu gostei.
De todas as mensagens. Todas.
A todos os que se lembraram.
A todos a quem o Facebook lembrou.
A todos os que perderam uns segundos a escrever qualquer coisa bonita. Sentida ou não.
Obrigada.
Esqueço-me frequentemente dos anos dos meus amigos.
Mesmo dos meus favoritos.
Lembro-me dois dias antes.
No dia anterior.
E puf.
No dia, evapora-se da memória.
Segundo amigos meus, o Facebook avisa quem faz anos e em que dia.
Eu como não percebo nada daquilo, estou em desvantagem.
Lá com esta história do Facebook, recebi muitas mensagens de aniversário.
Mais do que estava à espera.
De gente improvável. Tipo a R., uma americana que conheci em Erasmus. Ela odiava-me.
'Tá bem que isto das redes sociais dá asas a muita hipocrisia.
Seja como fôr.
Eu gostei.
De todas as mensagens. Todas.
A todos os que se lembraram.
A todos a quem o Facebook lembrou.
A todos os que perderam uns segundos a escrever qualquer coisa bonita. Sentida ou não.
Obrigada.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Momento-emigrantada, parte 2
No avião falam em português e eu já fico eufórica.
Chego ao Porto.
Limpo os olhos à minha mamã. Qu'imoçoum!
O meu pai embebeda-me com vinho tinto.
Já conduzi.
Já respirei fundo na praia Norte.
Já fui ao Continente. E vi ex-colegas minhas a olharem-me de esguelha.
Comi bolo rei torrado com manteiga ao pequeno-almoço. Que é bem melhor do que ovos mexidos com feijão, acreditem.
Comprei postais da minha terrinha para metade da população da Inglaterra.
Logo à noite, jantar com os amigos. E colinho. Muito colinho.
Chego ao Porto.
Limpo os olhos à minha mamã. Qu'imoçoum!
O meu pai embebeda-me com vinho tinto.
Já conduzi.
Já respirei fundo na praia Norte.
Já fui ao Continente. E vi ex-colegas minhas a olharem-me de esguelha.
Comi bolo rei torrado com manteiga ao pequeno-almoço. Que é bem melhor do que ovos mexidos com feijão, acreditem.
Comprei postais da minha terrinha para metade da população da Inglaterra.
Logo à noite, jantar com os amigos. E colinho. Muito colinho.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Momento-emigrantada
Portugal.
Sinto saudades.
Do cheiro das tuas praias.
Da tua gente e do teu fado.
Vejo-te Segunda.
Sinto saudades.
Do cheiro das tuas praias.
Da tua gente e do teu fado.
Vejo-te Segunda.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O preço das coisas
Quando eu vim para a Inglaterra, ouvi coisas que nem queria acreditar.
Só pensa em dinheiro. Podia muito bem ficar em Portugal. Fazer uma Pós-Graduação e entretanto aparecia-lhe um emprego qualquer.
Vamos ser francos.
O dinheiro dá-me jeito cumó caraças.
Ganho aqui o dobro do que ganharia a trabalhar no meu país.
E isto dá comichão na língua a muita gente.
Enviei dezenas de currículos em Portugal. De norte a sul.
Consegui uma entrevista. Uma!
Vim para cá.
Apaixonei-me pelos cuidados paliativos e pela reabilitação.
Gosto muito do meu trabalho.
Faço dinheiro. Bastante.
Ok. Também trabalho à moda da escravidão.
Mas, meus amigos. Dizem vocês que isto é por dinheiro?
Só para que saibam...
Já saí do trabalho às onze e meia da noite e vim para casa a pé. Sozinha.
Nem um único carro a passar na rua.
Passo rápido. A dizer para dentro "está-tudo-bem-não-vai-acontecer-nada".
Já carreguei vinte sacos de supermercado até casa.
A pé. Sozinha. De noite. Sem autocarros disponíveis.
Já senti a falta dos meus pais.
Já falei com eles ao telefone e disse que estava tudo bem. E não estava.
Já me senti ridícula como enfermeira. Já me passou pela cabeça deixar o meu trabalho e ir lavar pratos para um restaurante.
Já tive dias maus e ninguém para partilhá-los.
Digam-me. É por doze libras à hora que aguento isto tudo?
Não é.
Até porque já tive dias em que não me importava de estar no Continente.
A ganhar uma miséria.
Mas ter segurança.
Ter o meu carro. Os meus amigos. Companhia. Facilidade em falar.
Tudo. Tudo.
Só pensa em dinheiro. Podia muito bem ficar em Portugal. Fazer uma Pós-Graduação e entretanto aparecia-lhe um emprego qualquer.
Vamos ser francos.
O dinheiro dá-me jeito cumó caraças.
Ganho aqui o dobro do que ganharia a trabalhar no meu país.
E isto dá comichão na língua a muita gente.
Enviei dezenas de currículos em Portugal. De norte a sul.
Consegui uma entrevista. Uma!
Vim para cá.
Apaixonei-me pelos cuidados paliativos e pela reabilitação.
Gosto muito do meu trabalho.
Faço dinheiro. Bastante.
Ok. Também trabalho à moda da escravidão.
Mas, meus amigos. Dizem vocês que isto é por dinheiro?
Só para que saibam...
Já saí do trabalho às onze e meia da noite e vim para casa a pé. Sozinha.
Nem um único carro a passar na rua.
Passo rápido. A dizer para dentro "está-tudo-bem-não-vai-acontecer-nada".
Já carreguei vinte sacos de supermercado até casa.
A pé. Sozinha. De noite. Sem autocarros disponíveis.
Já senti a falta dos meus pais.
Já falei com eles ao telefone e disse que estava tudo bem. E não estava.
Já me senti ridícula como enfermeira. Já me passou pela cabeça deixar o meu trabalho e ir lavar pratos para um restaurante.
Já tive dias maus e ninguém para partilhá-los.
Digam-me. É por doze libras à hora que aguento isto tudo?
Não é.
Até porque já tive dias em que não me importava de estar no Continente.
A ganhar uma miséria.
Mas ter segurança.
Ter o meu carro. Os meus amigos. Companhia. Facilidade em falar.
Tudo. Tudo.
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