sábado, 13 de agosto de 2011

As últimas doze horas

Um turno da noite.

Custa-me pensar que nunca mais irei ver os meus doentes.
Que não estarei presente quando eles morrerem.

Uma altura tentei convencer o T. a tomar medicação.
Agarrou-me pelos colarinhos e mandou-me contra a parede. Bateu-me e por sorte não partiu o copo que eu trazia na mão.
Hoje o T. deu-me um abraço e eu tive de morder o lábio para não chorar.

O P. diz que a vida dele não vai ser a mesma, agora que eu me vou embora.
- Rita, I love you. I can't help it.
Podia ter-lhe dado um abraço também.
Mas estes dez meses de experiência ensinaram-me a manter a distância. A não ser que quisesse acabar com as mãos dele pousadas no meu rabo ou nas maminhas.

Estive no paleio com a W.. Sobre os sofás do IKEA, sobre gajos bons, e sobre gajos bons aprisionados entre uma de nós e um sofá do IKEA. Tudo conversas muito relevantes. E a ronda da medicação atradasa quase meia hora.

A S., era uma e meia da manhã, e ainda lutava contra o edredon (sim, leram bem - edredon; aqui o Verão é só imaginário).
Em vez de Temazepam, fui para a beira dela. Fiz-lhe festinhas no cabelo e na testa até ouvi-la a respirar fundo.

Li hoje no Facebook que aos olhos de não-sei-quanto-por-cento da população masculina, a mulher pefeita é morena, curvilínea e enfermeira.
Assim sendo...



Ahahahah!

1 comentário:

  1. e pronto fizes-me rir à gargalhada antes de ir dormir, com este final hilariante do teu post :D

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