sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dicas de beleza para 2011

Quer sentir-se linda-e-maravilhosa no novo ano?

Mãos-à-obra. Faça o que eu não faço:

1. Assegure-se de que os seus pêlos das pernas não ultrapassam os 5 milímetros de comprimento.
2. Mantenha as sobrancelhas meticulosamente arranjadas.
3. Não calce meias rotas.
4. Não vista casacos com borboto.
5. Não deixe os seus pés virarem lixas para madeira.
...
2445474. Deite as sapatilhas podre-de-velhas ao lixo e compre uns sapatinhos em condições. Se forem de tacão alto, melhor ainda.
...
999999998. Depois do banho, deixe-se de preguiça e passe creme hidratante.


No caso de existirem, desse lado, pessoas como eu – cheias de roupa velha, pele seca e áspera, e com fobia a cera depilatória – proponho que façam o seguinte:

Conservem as pessoas que gostam mesmo de vocês.
Agradeçam-se mais.
Abracem-se mais.
Perdoem-se mais.
Riam-se mais juntos.

Não há tratamento de beleza mais eficaz do que ser feliz.
:)

E ainda em 2011

Vou deixar as cuecas de adolescente.


E virar uma mulher séria.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Em 2011

Vou parar com os remédios. De uma vez por todas.

Eu admito - sou uma pessoa cheia de defeitos...
Admiro muito os meus amigos por gostarem de mim à mesma.

Há uns tempos atrás, recebi um comentário anónimo nesta postagem.
De alguém que não me conhece.
Se conhecesse, saberia que eu detesto o papel de vítima.
Não suporto gente que ó-p’ra-mim-não-tenho-sorte-nenhuma.

Eu não me dou por vencida com facilidade.
Mas quando admiti ter perdido a batalha contra o distúrbio alimentar, senti um alívio enorme.
Tento falar disso com a mesma naturalidade com que falo de todas as outras coisas: dinheiro, roupa, sexo, o que for.

Podia, facilmente, entregar-me às mãos dos senhores doutores.
Esperar que os medicamentos fizessem magia.
E que um belo dia eu acordasse e não tivesse vontade de materializar os meus problemas numa pasta de chocolate.
Bem que podia esperar sentada.

A cura exige trabalho.
Leio o máximo que posso para perceber o que vai na minha cabeça.
Bulimia nervosa, distorção da imagem corporal, alimentação emocional…
Mas o anónimo sabe melhor dos meus problemas do que eu.

Sabe que isto tudo é veneno da sociedade.
Que eu quero desesperadamente ser magra-como-uma-tábua, mesmo que isso contrarie o meu genótipo.
Que sendo magra, posso finalmente ser capa da Vogue.
Ter o desejo ardente dos homens.
E a inveja mortal das mulheres.

Eu, ingénuazinha, acho que as coisas não são assim tão quadradas.
Para mim, isto é psicologia barata.

Meti-me a fazer Reiki.
O D. diagnosticou-me um desequilíbrio no segundo chakra.
E em função disso descreveu a minha personalidade tim-tim-por-tim-tim. Senti-me nua.

A tendência ao isolamento. A comida. A falta de energia sexual. Os problemas menstruais. E por aí.

Se me virem em casa, em posições menos ortodoxas... Não, não vou entrar num filme pornográfico.
É para abrir o chakra, diz ele.

Dois filmes

Que eu vejo vezes-e-vezes-e-vezes sem conta.

Este.



E este.



Despertam tanta coisa que eu não consigo explicar.
E mesmo que tente... Não sei por onde começar.
Também vos acontece?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Coisas-absolutamente-parvas-para-não-dizer-nojentas


Se eu perguntar o que é isto?
Vocês respondem um saco de Maltesers.
E está certo.

Mas para quem tem problemas com comida isto é duas coisas.
Um saco de Maltesers.
E um saco para o vomitado.

Toma, p'ra aprenderes a 'tar calada!

No meu trabalho há um enfermeiro que é um amor.
Quando fala, faz muitos gestos com as mãos. Vai aos agudos quando se ri.

Pensei logo em casá-lo com um amigo meu.

Então.
Estávamos a falar.

Modo português activado.

- Sabes, tenho um amigo que ia adorar conhecer-te.

- Ai sim? Porquê?

- Falei-lhe de ti. Podias dar-me o teu e-mail; punha-vos em contacto num instante.

- Eu não sou gay, querida. Pareço. Mas não sou.

- Não és?

Silêncio constrangedor.

- Agora é a parte em que eu falo dos meus filhos.

- Ahahahahah!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ó não! Lá vem ela com a mesma conversa!

Daqui a duas semanas o possível amor da minha vida está de volta e eu vou embebedar-me.
Estou tão nervosa que parece que é já amanhã.


Ó mái góde!
Eu já nem me lembro como é que isto se faz...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os livros, as músicas, os filmes, as novelas…

Envenenam-nos a cabeça.
Eles não falam de amor.
Mas nós acreditamos que sim.

Toda a gente já experimentou.
Saudades que queimam o peito.
Nervos que fazem tremer a voz.
Calores a subir pelas pernas.

Não é engraçado?
O amor, que é tão bonito, já nos fez chorar a todos.
A dor da ausência deixa-nos tolinhos. E transforma em cóceguinhas qualquer dor de dentes ou enxaqueca.

Sofrer por amor é uma espécie de droga.
Mas quem sou eu para julgar?
Afinal de contas eu também tenho comportamentos aditivos. Empanturro-me e vomito a seguir. Não sou propriamente um bom exemplo...

Mas estava eu a dizer que há gente masoquista.
Gente que gosta de amar e sofrer ao mesmo tempo.
Gente que não se importa de amar por dois.
Gente que ama sem ser amada.
Que dá amor a quem não merece.
Há aqueles que ficam cegos.
E os que alimentam esperanças. Dia-após-dia-após-dia.

E isto é tão triste.
Ora se é triste, não pode ser amor.

Natal

Ai uish iu a méri crisstmass,
Ai uish iu a méri crisstmass,
Ai uish iu a méri crisstmass,
End a épi niu iar!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ser velhinho

Às vezes olho nos olhos dos meus doentes.
A maior parte deles nem repara.
Olham fixamente o vazio.
Corpo no presente e mente no passado.
Que confusões lhes passarão pela cabeça?

O que faz alguém chorar sem motivo?
Gritar de repente?
Tentar espetar-me um garfo no braço?

Muitas vezes pergunto-me que tipo de velhinha eu vou ser.
Se chegar lá.
Será que vou ser carinhosa? Ou vou praguejar o dia todo?

Cérebro. Demência. Hormonas. Neurotransmissores. E essas coisas.
Vem tudo nos livros.
Mas ler é diferente de viver.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Em Janeiro

Vou à Polónia.
Auschwitz.

Que segredos terá aquela terra para me contar?
Aquela terra que viu tanta gente morrer?

Tenho medo de nem ter coragem para ouvir.

Às vezes, sonho que vou numa estrada com muita gente.
Somos muitos e está a escurecer.
Olho para o chão e o caminho tem lama.
Eu estou descalça. Tenho calças às riscas.
Tão real...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Quando se está longe do mar

Vídeos como este fazem-nos chorar.

video

Obrigada M.

Pessoas que me fazem bem!

Eu no Facebook, a falar com a minha querida C..

Enviei-lhe fotos do possível amor da minha vida por e-mail. P'ra ver o que ela achava.
Que nós gajas somos assim.

Seguiu-se a seguinte conversa.

- Rita, quando tu vem pra Madrid pra eu poder bater em ti? O "bobby" é tudo de bom. Como é que tu não pega de jeito um boffe desses menina? Todo fofo...

- Blábláblá. Chega a hora H e a coisa não desenvolve.

- Blábláblá. Falta um clique? Vontade? ...

- Não sei.

- Faça o teste. Tome uma garrafa de vinho...

Juro que vou experimentar.
Afinal de contas a C. é uma mulher entendida no assunto. Ahahaha!

Na Sala de Convívio do Piso 1

A M. ladra enquanto a J. se coça até pôr as pernas em ferida.
A C. pede-me um táxi.
A D. não sabe onde está.
A MM. engasga-se com o xarope. A P. ri-se dela. O R. ri-se da P. que está sentada no próprio chichi.
A MR. cai e abre a cabeça.
E para a P. não se passa nada.

Não,

Não estou a viver nos Alpes.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

E já que estamos numa de lamechice...

De todas as canções que ouviram até hoje, qual a letra mais bonita de todas?

Há uma grande probabilidade de isto ser uma pergunta retórica.
Eu gostava que não fosse.
:)

Eu não era assim

Ele manda-me mensagens a dizer que tem saudades minhas.

Eu mando-lhe e-mails com músicas românticas.

'Tá bonito. Ffff.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Depois digam que eu não vos ensino coisas

Olha que bem!

Uma virose.
Primeira visita a um doutor inglês.

- Ána Mártins?

Modo Português Activado.

- Blábláblá. Toma medicação?
- Sim. Mostro-lhe as marcas, traduzo o princípio activo, explico-lhe porque é que tomo e quantos tomo.
- Toma 3 Prozacs por dia?
- Sim.
- Isto resolveu a sua situação?
- Não, de todo.
- Quando é que foi a última vez que teve episódios de compulsividade alimentar seguidos de purga?
- Hummm. Ontem à noite? Mas olhe, eu tenho é dores no corpo e acho que estou com febre...
- Vamos marcar uma consulta para revisão de medicação.
- Pode só ver se tenho febre? É que não tenho termómetro em casa...
- Marque com a secretária para a semana que vem, pode ser?

Tinha 37,9º. Mandou-me tomar Paracetamol, beber muitos líquidos e descansar.
Dava jeito uma mamã para me fazer sopa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

E ainda sobre palavras...

Há palavras que mudam tudo.

Estava agora a ter a última orgia alimentar do dia.
Que é a vingança por me sentir sozinha e não ter vontade de ir trabalhar amanhã.
Toca o telemóvel.

"I miss u".

É, ele tem 30 anos mas escreve mensagens à teenager.
E eu adoro.

"My Life Without Me"

É um filme à professor Pedro Pereira.
Olá professor. Se um dia descobrir o meu blog, este post é para si.

Vou contar-lhe uns segredos.

No primeiro ano da faculdade, nutria por si uma relação de amor-ódio.
Ou seja, amava odiá-lo.
Mas era ódio mortal, acredite.
Faltei o máximo que pude às suas aulas.

Não sei o que se passou, entretanto.

No terceiro ano, pumba! Admiração descompensada.
Não faltei a uma aula. Nem à do dia em que produzi um litro de ranho e provavelmente estava melhor na cama.

Fiquei muito aliviada por não ter Sociologia no quarto ano.
Sempre fui azelha com as palavras.
Conceitos e definições não são comigo.
Textos difíceis, que é preciso ler devagar e muitas vezes para perceber, esgotam-me a paciência.
Não admira que a minha pior nota fosse sempre à sua disciplina.

De qualquer das formas.
Tenho muitas saudades de ouvi-lo falar.
Não do Foucault. Nem do Lévi-Strauss.

Tenho saudades de ouvi-lo falar do relógio e dos seus filhos.
Dos exemplos curriqueiros.
Das peregrinações a Fátima, até.

Não é toda a gente que nos faz sentir bebés e nos embala.
Só com palavras.

Estatísticas

Que eu sou uma burra em computadores, já toda a gente sabe.
Se não fosse o M. este blog nem existia.

Mas pronto, estava eu armada em entendedora, quando descobri isto.



Ok. Eu tenho o blog há quase um ano.
E há pessoas que chegam facilmente às 300 mil visitas num mês.
Mas para mim, 10 mil visitas é espetacular.

Aliás. Ter 89 pessoas a visitarem-me por dia é um bocado estranho.
Eu acho que não conheço assim tanta gente.

O cheiro do cancro

Desengane-se quem pensa que isto é uma metáfora ou outro recurso estilístico qualquer.

O cancro tem mesmo cheiro.
Os meus colegas enfermeiros sabem disso.

Eu aguento bem o cheiro a vomitado.
Cheiro a chulé.
Cocó.
Infecção urinária.
Suor e falta de banho.

Mas o cancro tresanda.
Mais ainda em estado avançado.

A I. morreu.
Últimos cuidados.

Imaginem a que é que cheira o meu uniforme?

Novo recorde

Dois dias.
Vinte e nove horas de trabalho.

domingo, 12 de dezembro de 2010

É hora de ir ao médico


Quando ficas a olhar para uma foto, com o máximo-de-cara-de-parva-possível, mais de um minuto.

Tenho dito.

É só a mim?

Que este homem dá um orgasmo, entre os 40 e os 50 segundos?

Mas num é só boa vida, atençôum!


Sai um pastel de nata p'rá portuguesa da mesa 5, fachabôr!



sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu tenho memória olfactiva

O cheiro a cevada transporta-me imediatamente para a marquise da minha avó.
Consigo ver perfeitamente o cabelo dela apanhado num puchinho e o avental cheio de nódoas.

A cera Veet lembra-me fome.
A associação é tão longínqua que demorei a perceber.
Com 12 anos, cheguei a pesar 70 quilos.
Os problemas com comida começaram aí.
Valeu de tudo. Não comer, comer e vomitar, chás, cremes, exercício até cair para o lado.
Cheguei aos 48 quilos.
E ganhei um pêlo esquisito no corpo - que mais tarde, na faculdade, descobri chamar-se lanugem.
Eu tirava a lanugem com Veet. Com o estômago a gritar por comida. E eu a fazer orelhas moucas.
A propósito, associo a música "I'm Like a Bird" da Nelly Furtado à mesmíssima coisa.

O detergente para a roupa da marca Xau transporta-me para o serviço de Ginecologia.
Que será feito da dona C.?
Tantas vezes fui ao armário buscar roupa lavada. E aquele cheiro...

A minha mãe usa este perfume.
Que se altera, quando lhe toca na pele.
E eu, de olhos fechados, consigo identifica-la no meio de 100 mulheres com perfume da mesma marca.
Só pelo cheiro.

A minha primeira casa - cheia de recordações boas e más - vai sempre cheirar a alcatifa e incenso de framboesa.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

S.e M.

Comprei prendas para vocês.

E não imaginam o nervoso que me dá não poder entregá-las agora-agora.

Diz o meu pai

Que dos vinte aos trinta é um salto.
Nem se dá por ela.

É mesmo verdade.
De um dia para o outro começas a gostar de roupa de velha.
E a sentir dores no braço que partiste há dez anos.

Querido Pai Natal

Depois de ter ido à tua casa e de nos termos conhecido pessoalmente, acho que posso tratar-te por tu.

Olha.
Faz-me um favor.
Acaba com esta palhaçada do Natal.

Pronto.
Não sejamos tão radicais.
Acaba só com a tradição de embrulhar presentes em papel novo.

Pode ser?

É que depois vai tudo para o lixo...
E eu tenho pesadelos à noite.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Voltas

Há um ano atrás, foi a fase mais complicada da minha vida.
Porquê?
Nem eu sei.

Ia para Ponte de Lima pela auto-estrada.
160 quilómetros por hora.
Passou-me pela cabeça perder o controlo do carro. Muitas vezes...

Ainda bem que não o fiz.

Porque um ano depois, sou feliz como nunca fui.
Apesar de tudo.
Do pouco dinheiro no banco.
Dos problemas com a comida.
Da falta de gente com quem falar.

Quando só te tens a ti mesma como companhia, aprendes a gostar um bocadinho.
Até compras vinho.
E festajas num dia em que, aparentemente, não há nada para festejar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Se há coisa de que eu sinto falta

É do bom-humor português.





Bendita internet.

Quando não se tem muito dinheiro

Alguma imaginação ajuda.

Então.
Se não podes ter móveis de madeira a sério, compras papel bonito e forras umas caixas de cartão.


E como o papel bonito também não é nada barato, vai-jornal-vai-tudo.



A ver no que dá. A ver...

Terça-feira e para mim é Domingo

Comprei prendas para os meus pais.

E pela primeira vez desde que aqui cheguei, não olhei para o preço antes de escolher.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu adoro o meu trabalho

A gerência é uma merda? É.
O meu manager é larilas e mexe-me com os nervos? Certo.
As salas de enfermagem são mais desarrumadas do que o meu quarto? Sem dúvida.

Mas as pessoas fazem tudo valer a pena.

No outro dia a M. chamou-me. Queria apresentar-me a família.
Conheci dois peluches e um nenuco.

A C. pensa que a sala de convívio é um restaurante. Enquanto faço a ronda da medicação chama por mim para pagar a conta.
Pergunta como me chamo dez vezes por dia.
Não se lembra do que aconteceu há um minuto atrás. Mas a memória ainda lhe permite falar nove línguas.

A M. passa a vida a cantar. Os outros não a suportam.
Este fim de semana cantei com ela. Uma letra inventada num idioma desconhecido.

O meu trabalho faz-me muito feliz.
Apesar de tudo.
De me sentir burra na metade do tempo.
E ignorante na outra metade.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Estas mãos


Que vivem debaixo de água e desinfectante, têm tanto para contar.

Já tocaram em sangue que não era meu.
Saliva que não era minha.
Bebés por nascer.
Mortos.
Estas mãos dão de comer. Lavam e aliviam dores.
Já tocaram outras peles. Muitas peles. Tanta gente.

Eu gosto delas.
Os utentes também.
E enchem-nas de beijos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Animais de estimação

Dois de Dezembro

Saio do Centro às nove da noite.
Treze horas de trabalho.
Vou a pé para casa.
Muito frio. Neve. Corpo dorido.
Tomo banho com água a ferver.
Olho a noite pela janela.
Demasiado cansada para pensar.

Tocam à campainha.

Do outro lado da porta lá está ele.
Não foi convidado.
E sabe que mesmo assim é bem-vindo.

Abro a porta e deixo-o entrar.



Ontem eu fiz Amor.
Não aquele amor em que se troca cuspe e orgasmos.

Fiz Amor, Amor.

Abracei-o e ficamos assim muito tempo.
Em vez de me tocar nas maminhas, cheirou o meu cabelo.

Hoje de manhã deixei-o partir.
De volta à República Checa.
Se calhar nunca mais o vejo.
E não estou triste.

Eu fiz Amor.
Daquele que não pede nada em troca.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Déjà vu

S.,

Hoje, ao aspirar o portátil, descolei o plástico que ainda cobria o ecrã.
Fiquei lixada.
Mas depois disse para mim própria em voz alta:

- Nóssa. Fáiz tempu qui tava pra tirá êsse negócio.

Ri até me virem as lágrimas aos olhos.

Tenho saudades da tua presença física.
Já que em pensamento estás sempre comigo.

Que sorte!

Depois de trabalhar 24 horas em dois dias seguidos, uma pessoa convence-se de que no dia de folga vai dormir até às nove e ter um dia descansado.

7:30 am. Tocam à campainha.
Ó, rais-parta-o-carteiro!

- Good morning.
- Hi.

E o resto em português, para vos poupar dos meus erros gramaticais.

- A sua agência imobiliária contratou-nos para trocar o esquentador. Presumo que a senhora saiba...
Mas isso não era só p'ró mês que vem?
- Ah, sim, sim. Entrem.

Blábláblá.

- Sabe dizer-me quanto tempo isto pode demorar?
- Ui, é rápido! Até às cinco da tarde está pronto!
Fuck!

Barbequins, martelos, casa em pantanas.
Ainda bem que já tenho dinheiro para um aspirador.